A Bahia sedia o Simpósio da SAE Brasil, no auditório do SENAI CIMATEC, para discutir tecnologia e os desafios de competitividade das indústrias química e automobilística no mercado mundial
POR ANA GENEROSO*
generoso.a.carolina@gmail.com
A primeira revolução, a mecânica, introduziu a máquina a vapor. A segunda, as linhas de montagem e o modelo fordista. A terceira, fruto dos anos 1970, trouxe os robôs e a automação para dentro das fábricas. O século 21 inaugura a quarta revolução industrial: a digital. Baseada na conexão de sistemas físicos, digitais e biológicos, a Indústria 4.0 objetiva aumentar não só a eficiência produtiva, mas também a qualidade do produto através do processamento dinâmico de dados em “real time”, isto é, simultaneamente.
O Simpósio da SAE Brasil promoveu, na última quarta-feira, 21, o evento “Desafios da Indústria 4.0” para discutir as demandas da digitalização da manufatura dentro dos setores químico e automobilístico no auditório do SENAI CIMATEC, no bairro de Piatã, em Salvador. Os palestrantes frisaram a necessidade de nacionalizar tecnologias digitais para dar competitividade global às indústrias brasileiras.
Palestrante Cristiane Gonçalves apresentando "Desafios e oportunidades para a sustentabilidade da indústria 4.0" no Simpósio da SAE Brasil/ Imagem: Ana Generoso
O líder de Desenvolvimento de Novos Negócios para Polipropilenos na América do Sul pela Braskem, Nicolai Natal, apresentou a palestra: “Indústria 4.0 – Visão geral do conceito e os impactos na indústria no mundo”. Ele reforçou que o simples investimento em tecnologia não basta. A educação, dentro das universidades e das empresas, é a chave para transformar a inovação em resultado de mercado. “Por que falar de Indústria 4.0 agora se a maioria dessas tecnologias existem há décadas? Porque hoje, mais do que nunca, a competitividade das produções depende do uso de dados em “real time”, defende Natal.
Destaque no cenário das novas indústrias e para os analistas de dados, a otimização mecânica e digital gera uma altíssima demanda de processamento de dados colhidos na produção. O desenvolvimento de algoritmos que controlam os dados de cada planta garante a harmonia do funcionamento geral da fábrica.
Natal frisa a importância de integrar cada um dos nove pilares para refinar a produção e eliminar excessos. Com a internet industrial, por exemplo, é possível conectar os equipamentos e produtos semiacabados à internet, onde eles passam a gerar informações em tempo real. A partir disso, o gerenciamento da manufatura passa a ter um maior nível de aproveitamento, automaticamente eliminando desperdícios. A manufatura aditiva também economiza espaço, tempo e recursos naturais ao reduzir o número de máquinas necessárias para produzir e montar uma peça à apenas uma: a impressora 3D.
O uso de simulações conferem maior liberdade criativa para inovação por permitir testes a baixo custo. E as tecnologias de realidade aumentada prometem mitigar os erros humanos e aumentar a segurança no cotidiano de produção. Nicolai Natal cita o óculos de realidade aumentada HoloLens da Microsoft para ilustrar a eficiência na manutenção de plantas da Bentley Motors, uma manufatura britânica de carros de luxo.
Vídeo da Hololens
A tecnologia da quarta revolução elimina a necessidade de estoque, reduz os riscos de acidentes de trabalho, economiza matéria-prima e possibilita uma maior customização do produto final.
O impacto na qualidade, velocidade e sustentabilidade das empresas é sensível e, segundo Natal, a hora de investir é agora. Nos últimos dez anos, o custo da banda larga e armazenamento de dados caiu, assim como o custo de sensores (queda de 50%) e de robôs (queda de 30%).
*Estudante do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação e repórter na Agência de Notícias em CT&I – Ciência e Cultura UFBA